Em um mercado selvagem há espaço para que a moralidade regre as relações de mercado?

 

Para responder esta pergunta é preciso considerar o papel que a empatia e moralidade estão assumindo. Estes temas estão cada vez mais em alta e ditando as regras em correntes de pensamento em um amplo espectro de temas: inovação, evolução e consciência humana, gestão organizacional, economia, direito, resolução de conflitos e liderança são apenas alguns destes. A gama é imensa.

 

Se normalmente torço o nariz para modinhas preferindo ir mais a fundo e compreender as nuances de qualquer coisa que me seja apresentada como solução mágica, dou meu braço a torcer para os estudos da psicologia e da neurobiologia sobre a empatia e a moralidade.

 

O primeiro contato que tive com os estudos de Paul Zak e Kelly MacGonigal foram incrivelmente reveladores, e se mostraram de extrema valia quando em observação ao ciclo conhecido como Ciclo HOME (Human Oxytocine Mediated Empathy). Este ciclo é crítico para o entendimento sobre as relações sociais (construção e manutenção) e também para as relações econômicas do futuro.

 
 
 
 

Grosso modo, o início desde ciclo ocorre quando há liberação de oxitocina. A liberação desse hormônio leva a empatia, que incita a uma maior moralidade, aumentando a confiança, que por sua vez gera mais liberação de oxitocina em um ciclo que se auto-alimenta. O hábito se estabelece com o apoio da dopamina e dá prazer pela sua manutenção pela ação da serotonina.

 

Em contrapartida, hormônios de estresse (como o cortisol e a testosterona) bagunçam esse ciclo e resultam em desconfiança e reações do tipo “lutar ou correr”, que se traduzem em necessidade de controle, rompantes de autoridade, agressividade, territorialismo e angústia.

A compreensão dos impactos dessas premissas na gestão está revolucionando as relações dentro das organizações e ditando novos rumos de mercado. Termos como economia de compartilhamento, economia circular, economia de confiança, mercados morais, liderança e organizações regenerativas são apenas alguns dos que você ainda irá escutar falar. E muito! E isso é bom para todo mundo.”

Se você acha que este tema ainda está longe de se perceber na prática está muito enganado(a). Em artigo que desenvolvi quando cursava o mestrado pude identificar que a moralidade é o filtro que permite a ocorrência de empresas como AirBnB, Waze, Linux e Uber, iniciativas como a do couchsurfing, Voaa e Benfeitoria.

 

Pode até ser uma moda, mas os princípios que regem esse modismo são baseados em princípios que reforçam laços humanos, que estreitam relações, que primam por melhoria nas condições de vida (em seu espectro mais amplo) e devem ser divulgadas, incentivadas e reforçadas por todos nós.

Esta nova forma de entender o mercado e as relações dentro de uma organização desponta como de crítica importância para a construção e desenvolvimento de ambientes de trabalho onde a cultura seja voltada ao desenvolvimento da consciência humana e ao alinhamento as condições necessárias a promoção da vida em nosso planeta.”

Porém, para se fazer valer exigem a revisão de conceitos e a quebra de paradigmas que mexem com valores pessoais muitas vezes reforçados por décadas de uma visão restrita sobre temas como propósito, prosperidade e status pessoal.

 

Se você ainda tem dúvida da importância da moralidade para a construção de relações de mercado futuro ou se ainda olha com desconfiança para este tema por julgar que seja coisa do tipo “politicamente correto” está cometendo um grande engano.

 

A moralidade e a confiança vieram para ficar e vão revolucionar a forma de lidarmos com mundo, e por tabela, ainda nos brindarão com um maior autoconhecimento sobre nosso próprio estágio de consciência.

 

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