Lembro que nos desenhos animados de outrora – e aqui já denuncio um pouco de minha idade – as mulheres eram retratadas como objeto ou de forma completamente passiva.

 

Dos Flintstones aos Jetsons, seu lugar majoritariamente era visto como sendo restrito ao protagonismo do lar. Submissa a progenitura masculina, sua função sempre foi associada a manutenção da estrutura de criação, do cuidado e da servidão.

 

Mesmo com inúmeros exemplos na história, de Xica da Silva à Mariele Franco, de Elizabeth II à Angela Merkel, as mulheres sempre representaram um mínimo da parcela de poder, que para ser exercido precisava passar por um processo de masculinização ou simplesmente ficar oculto dos holofotes – quem é que sabe da história das programadoras negras da NASA por exemplo?

Esse processo de ocultação e de  desmerecimento tinha e ainda tem o intuito de considerar como positivo apenas a proeminência da característica masculina em detrimento do que é de fato seu diferencial, a incrível capacidade, a habilidade e a coragem para ser o que poucos homens o aceitam ser, sensíveis, amorosos, compassivos, empatas.”

Estupidamente, a visão patriarcal que forçou e respeitou o feminino apenas quando o visto por uma lentre estreita agora tem cada vez mais compreendido que seu arquétipo é a chave para uma revolução profunda e necessária em nossa história. Este paradigma patriarcal ignorou e deturpou seu protagonismo por tanto tempo que o preconceito virou estrutural. Se entranhou na estrutura social, histórica, sexual, política, ambiental e de negócios por tanto tempo que ainda precisará de muita luta, de muito sutiã queimado e de muito basta para que haja de fato e de direito uma mudança profunda em nossa forma de compreender sua potencialidade pelo que representa. O lado bom é que esse caminho é sem volta.

 

A visão competitiva e de luta bruta pela imposição de poder e do medo já não conduz a soluções, pelo contrário, nos brinda e reitera muitos dos dilemas da atualidade – do capitalismo selvagem aos problemas ambientais, da hierarquia patriarcal de submissão à desigualdade social, da imagem sexualizada a ser subjugada, da autoimagem supervalorizada que não sofre e chora, que não discute seus sentimentos. Paradoxalmente, o que tanto e por tanto tempo foi reprimido como sendo fraqueza será justamente o que nos conduzirá a prosperidade.

 

Nosso tempo urge por empatia, por sentido, por cuidado, por sensibilidade quanto à relações humanas, que nós do aspecto masculino fomos deixando de abraçar, fomos ensinados a temer e orientados a combater – até mesmo pelo próprio objeto de repressão, ou você nunca viu uma mulher condenar no masculino o que considera ser característica feminina?. Então, mesmo ainda carente de uma evolução de estágio de consciência, nos próximos anos e nas próximas décadas, o que ficará marcado na história será uma guinada arquetípica do masculino ao feminino que nos brindará com exponencialidades mais que necessárias a jornada humana.

 

Enquanto o feminino será reconhecido pelo seu sagrado, o masculino precisará passar por uma revisão de sua toxicalidade rígida e seca. Não se trata de transfiguração, mas de segurança de ambos poderem ser o que são, pelo que são, sem tanto julgamento extremista ou preconceituoso. Eras de barreiras limitantes em ambos os sexos estão ficando para trás. Só temos a ganhar.

Para a gestão organizacional, haverá uma leva de liderança muito mais sensível e hábil quanto à consideração do local de trabalho como promotor a evolução humana; na política, de uma orientação focada no cuidado para com a população; na área tecnológica, do abraço ao lado social de seu impacto; na cultura, de uma nova explosão de arte e inovação; na educação, uma expansão ainda maior quanto ao cuidado das gerações futuras; no ambiental, o respeito as relações de criação e autorregulação dos sistemas.”

Que seja uma era de amor, de empatia, de cuidado e uma revisão profunda de valores que nos possibilite o avanço e a reparação histórica tanto necessária.

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