Se você não é da área de engenharia, marketing ou lida de alguma forma com lançamento de produtos, sejam eles físicos ou não, talvez nunca tenha ouvido falar sobre Roadmap. Então, de início é preciso deixar claro do que se trata esta ferramenta.

 

Roadmap é uma forma simples de esquematizar o processo de lançamento de um produto. Nele, alinha-se expectativas e consensos sobre como se dará a evolução do produto, determina-se o número de fases e quais funcionalidades estarão atreladas a cada uma delas ao longo do lançamento ou vida de um produto/serviço.

 

Para tornar mais simples a coisa toda. Sabe aquelas versões beta ou 1.201 ou 3.2145.23 que usualmente vemos nos programas? São basicamente um reflexo direto de como atualizações foram pensadas para serem incrementadas ao produto, tornando-o mais robusto e eficaz, ou aumentando sua eficiência e segurança através de novas funcionalidades. Não entram atualizações para corrigir bugs hein, que fique claro.

 
 

Um roadmap construído para corrigir bug demonstra uma imaturidade absurda de planejamento. E creia, já vi bastante disso por aí.

 

Um exemplo pessoal. Dediquei três anos ao processo de implantação do sistema SAP em uma grande companhia, sendo dois deles inteiros dedicados a adicionar funções conforme planejado no roadmap. Mesmo assim, nada havia me preparado para os bugs e problemas de migração entre sistemas, ou erros de programação, ou de adequação de função entre interface e usuário. Mas, sem o roadmap creio que teria sido bem pior.

 

E onde entra a complexidade nesse jogo? Simples: na função. Mas, pera lá, como assim função? Quando um roadmap é construído, ele é pensado em termos de estratégia de médio/longo prazo.

É preciso que o roadmap seja pensado como forma de agregar valor ao produto, caso contrário, o processo vira apenas um esquartejamento de etapas que atualizam o produto, mas tem pouca percepção prática pelo usuário/cliente.”

Quando as etapas do roadmap são construídas em termos de agrego de função é possível fazer com que a percepção do usuário seja o norteador, deixando o resto como atualizações simples. Porém, ao se falar em função é preciso compreender que o conceito desta palavra é produto direto de um conjunto de interações que se retroalimentam com informações que envolvem múltiplos atores em um contexto, portanto…

Função não é adicionar um novo uso apenas, mas compreender em como esse uso pode ser incrementado e como ele evoluirá ao passar do tempo, com o objetivo de enriquecer a experiência do usuário.”

Com isso em mente é possível pensar em termos de complexidade, pois:

  • Pode-se identificar os atores envolvidos e quais são suas visões sobre o uso do produto; para a partir daí…

  • Compreender quais são as interações e as retroalimentações que precisam de incremento; que possibilitem…

  • Identificar ruídos e incertezas que prejudiquem a percepção de valor em termos de função.

Voltando ao exemplo do SAP que havia mencionado. Se o roadmap tivesse sido pensado em termos de função e não apenas de módulos constituintes com o objetivo de uma maior capacidade de atividades realizadas, grande parte dos problemas que enfrentamos seriam minimizados, ou até mesmo eliminados. Isto porque a função geralmente tida como relevante pelos planejadores não é relativa ao usuário, mas ao programa em si, a suas ações.

 

De nada adianta incrementar funções (leia-se atividades/capacidade) se a função (leia-se percepção/sentido de uso) não for a real impactada. É um trabalho que utiliza tempo e recurso para adicionar botões em uma tela que nunca serão usados.

 

Devido ao seu caráter de consideração quanto as incertezas, ruídos e interações que causam problemas, a complexidade torna o planejamento do roadmap muito mais assertivo, já que entre uma fase e outra, exige-se que estes ruídos e incertezas que levam ao erro e dificultam a compreensão nas interações sejam considerados no processo de incremento de valor percebido.

 

E como isso pode ser feito?

A complexidade pode ser expressa através da construção da figura que revela a dinâmica das interações que caracteriza a relação/função.

 

Ela deve ser utilizada em dois momentos:

 
  1. Servindo como base de construção do roadmap: possibilitando identificar relações críticas que demandam atenção, como base para separação entre as fases, e para determinação do valor percebido atrelado em relação a função/uso;

  2. Servindo como base para mudança de fase no roadmap: isso significa que após período de implementação de uma determinada fase, a figura deve ser atualizada para considerar os ruídos em dois pontos específicos: conscientização quanto a etapa anterior, e verificação das necessidades de ajustes nas interações para etapa seguinte.

 

Com isso a redução de situações problema, e de custos com correções, e a melhoria na percepção da experiência pelo usuário podem ser alcançadas com muito mais assertividade e conduzidas como um processo muito mais fluido e coeso.”

A complexidade, por ser um mindset, não subsitui ferramentas e técnicas, mas possibilita uma revisão de suas práticas ao considerar as conexões e toda sua gama de incertezas e dificuldades como parte natural de qualquer processo.

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