As doutrinas orientais trazem embutidas em muitos de seus ensinamentos a noção de que somos responsáveis pela criação da realidade. Budismo e hinduísmo são as mais conhecidas desta visão no mundo ocidental.

 
Mas não são só as doutrinas espiritualistas que nos indicam essa visão. A biologia e a teoria dos sistemas nos dão bons indicativos desta premissa.
Sob a ótica da autopoiese – que nos revela a capacidade de um sistema vivo, incluindo nós mesmo, de compreender as perturbações do ambiente e reagir a ele deliberadamente, – e do pensamento de sistemas – que nos mostra a incrível rede de relações que sustenta a vida, faz todo o sentido essa mesma compreensão.”

Para uma melhor clarificação do que isso signifique é preciso revisar o próprio conceito de aprendizagem. Senge nos trás o conceito de metanoia da Grécia antiga (meta – “acima ou além” e noia – de mente) e informa que esse conceito enseja o significado mais profundo do sentido real de aprender, pois, para além do simples acúmulo de conhecimento encerra na verdade a capacidade de percepção de nossa relação com o mundo.

 

Já Mutarana e Varela mostra que o processo de cognição é na verdade o processo que define a vida em si, pois revela que qualquer sistema vivo possui a capacidade de intencionalmente agir sobre o meio.

 

O entendimento restrito sobre o processo de aprendizagem leva as pessoas a falsa compreensão de que não possuem poder de criar, modificar ou influenciar a realidade, quando na verdade essa habilidade é inata e perceptível nos níveis mais elementares de nossa estrutura celular e compartilhada por toda forma de vida.”

Fruto deste falso entendimento decorre a ação de culpabilidade de fatores externos pelo que ocorre em nossa vida e pela inação ante as perturbações no ambiente.

 

Assim, ao invés de uma posição ativa e pró-ativa quanto a vida, as pessoas – seja no âmbito pessoal ou profissional – se acostumam ao hábito da passividade que culpa algo “lá fora” ao invés de se reconhecer como central no processo de cognição – isso me lembra de um seriado da década de 90 chamado Aquivo X que explorava a temática de invasão alienígena e cujo protagonista tinha em seu escritório um cartaz escrito “a verdade está lá fora”, que significava intuitivamente que “o inimigo está lá fora”.

 

E não pense que ser proativo é ser reativo. Longe disto, a proatividade está muito mais relacionada a capacidade de compreender os processos emocionais e físicos e a eles dar significado, ao invés de reagir por reflexo impulsivo ao que se sente. Envolve sim, agir de forma assertiva em compreensão a relação a como eles se apresentam, que por sua vez só é possível através do reconhecimento de nosso papel de causador da realidade – como diria Krishna à Arjuna no Bhagavad Gita ou Senge na obra A Quinta Disciplina ou Budha em seus ensinamentos ou Damasio em seu estudo sobre consciência ou Heisenberg em seus estudos sobre o processo de conhecimento (epistemologia).

 

Infelizmente, como não fomos e ainda não somos orientados a nos posicionar de outra forma é comum então que o processo de aprendizagem e de nosso papel como construtores da realidade ainda seja considerado como balela exotérica pela grande maioria.

 

Considerando que a curva de aprendizagem não funciona e não apresenta qualquer efeito duradouro se não houver uma associação à prática do que foi ensinado, se não houver um mecanismo direcionador que nos faça aplicar o conhecimento tácito e se uma política não for desenvolvida com o objetivo real que induza a prática e a internalização de conceitos – o que leva tempo e exige dedicação – não há aprendizado.

 

Por isso muita gente não nota a ilusão da fronteira de aprendizagem, pois associa o aprender a aquisição de informações apenas.

 

Como afirma Senge, as organizações e os profissionais de sucesso serão aquelas que descobrirem como cultivar o comprometimento e a capacidade de aprender.

 

A aprendizagem então é um processo mental que representa o viver em sua forma mais bela e pelo qual exercemos a incrível capacidade de criar nossa realidade.

 

E aí? Você aprende ou acumula conhecimento?

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