Vivemos em tempos loucos. Empresas e profissionais são cobrados cada vez mais por apresentarem a capacidade de inovar se quiserem se manter alinhados as constantes mudanças de demanda do mercado.

 

Na atual sociedade consumista e imediatista construída somos medidos e avaliados pelo alinhamento ao que seja novo. Porém é preciso parar e refletir, mesmo que isso doa.

 

Você já reparou que grande parte do que seja novidade é apenas uma ilusão vendida como necessária e indispensável à nossa felicidade? Já parou para pensar que nós não precisamos de grande parte das inovações que nos são vendidas? Que a nova moda, a nova posse, o novo status são apenas construtos empurrados goela abaixo?

Me pergunto até onde o mercado, a população e nós enquanto indivíduos somos considerados como idiotas por não saber o que queremos, ou o que seja bom, a ponto de ter alguém da área de MKT de alguma organização para definir isso por nós.

Vou dar um exemplo simples, eu possuo o mesmo celular há seis anos. Até o presente momento não encontrei um APP que não rodasse perfeitamente no aparelho e não identifiquei qualquer necessidade de troca, e olha que o uso bastante e tenho diversos programas instalados devido ao trabalho. Mas o mercado é inundado com tecnologia de ponta e vende a falsa ideia de que meu celular já não serve. E assim, eu, por não ter adquirido um novo aparelho da moda estou igual a meu celular, ultrapassado.

Compramos tanto a ideia de que apenas o novo é útil e considerado relevante que externamos esse prejulgamento a quase tudo que nos cerca, inclusive para as pessoas. Mas, contraditoriamente, esquecemos que da mesma forma com a qual julgamos, seremos julgados.”

Essa constante e falsa necessidade pelo que é novo nos induz a crença de que nossa satisfação sempre está além de nosso alcance, e que só seremos felizes e completos caso tenhamos em mãos o que seja novidade.

 

Nesse sentido, a novidade em excesso cria um paradoxo que nos cega quanto à realidade: estamos exaurindo o planeta por mais recursos em nome da manutenção de um consumo desnecessário e nos tornando cegos quanto a nossa incapacidade de se contentar com o que seja necessário.

 

A moda virou fast fashion, já nem existem coleções relativas as estações do ano como regra, mas sim associadas as tendências voláteis que nos são empurradas. A ideia pela tecnologia mais atual nos faz crer que um celular com tela Super Super-AMOLED de borda curva, resolução 8k e capacidade de processamento absurda seja necessário, mesmo que quase ninguém use nem um terço de toda essa capacidade.

 

Então, coitado de mim que passo mais de um ano sem comprar uma peça de roupa ou continuo a usar o mesmo celular depois de seis anos. Tornei-me um dinossauro e adotei um atestado de desconexão com a realidade, de defasagem, de ser e estar ultrapassado, portanto, de alguém que não merece o status de referência, mas sim o ostracismo.

 
Estamos criando e fomentando cada vez mais uma sociedade que transforma o consumo em remédio para um vazio existencial que, se antes era atrelado aos questionamentos reflexivos da maturidade, hoje muito mais se associa a falta de construção de uma personalidade coesa. Uma que sofre desnecessariamente por tentar a todo custo se manter atual, e que busca completude em algo que lhe foi imposto, ao invés de preencher a si própria com o que a evolução de sua individualidade lhe permita expressar.”

Como consequência:

 
  • Sofre o planeta com nossa gana por mais recursos para alimentar nosso ego cada vez mais inflado.

  • Sofre nossa capacidade de valorar a experiência e a individualidade que nos brinda com sabedoria.

  • Sofre nossa sociedade com um fluxo contínuo de forças que fomentam influências que julgam e condenam por aparências falseadas, mas que bradam coerência no vazio encoberto pelo que seja desnecessariamente novo.

 

No final das contas, nessa busca tola pelo que seja novo nos assemelhamos muito mais ao burro perseguindo a cenoura pendurada à sua frente ou a cachorros correndo atrás do coelho na corrida de apostas, do que a humanos conscientes de si, de sua jornada e de seu papel na sociedade.

 

É preciso ponderar e refletir:

 
  • A loucura pela inovação constante leva organizações a buscarem o crescimento pelo crescimento (mesmo que isso não corresponda a maturidade de sua gestão) e o novo pelo novo (mesmo que isso não acrescente em nada a jornada evolutiva ou permita valor real a quem adquire seus produtos).

  • A loucura pela inovação constante leva profissionais a frustração como resultado de uma busca estúpida que fragmenta e transforma o conhecimento em pílulas e receitas prontas vendidas como métodos infalíveis de desempenho e conquistas fáceis.

  • A loucura pela inovação constante leva indivíduos a buscar o preenchimento do ser no que lhes seja vendido como novidade, mesmo que isso não lhe acrescente nada além de inflar ainda mais um ego ganancioso.

A inovação deve existir, mas motivada e justifica pelo valor real quanto ao seu propósito, caso contrário, é completamente desnecessária, e se torna uma variável de exclusão e segregação. Além do mais, fomenta um ciclo vicioso que exaure o planeta e a nós enquanto indivíduos e sociedade.”

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